Proximidade

Deparo-me pensando em você

Será apenas uma imagem?

Lembrança….

Ah! Você parece tão perto…

Mas ao mesmo tempo as certezas o levam para tão longe…

Longe onde não posso estar…

Longe onde não posso ver…

Mas lembrar me faz sentir…

Faz-me navegar nas profundezas de que fomos juntos.

Faz-me viajar em cada curva do teu rosto,

Do teu olhar, e do teu sorriso incerto.

E faz-me crer que és especial a mim, sem igual.

Em um mundo onde pessoas parecem seriadas…

Então me pergunto!

Onde estás agora?

O que estas fazendo?

Em cada verso aqui escrito, te sinto tão presente!

Mas tudo que tenho é a lembrança…

As incertezas são as certezas desta vida.

Onde às vezes esperamos o que nunca vai chegar.

Mas eu fecho os meus olhos, e em silêncio me lembro…

Estranha sensação de vulnerabilidade…

Hoje me frustrei…Expectativa criada…

Errei. Esperei. E não tive…

(Parafraseando Tiago G)

Andreia Bossoes

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Hoje

Hoje eu acordei com uma sensação estranha. O dia me pareceu mais belo, apesar de sombrio. Até o canto do Bem-te-vi anunciando chuva, soa  como melodia aos meus ouvidos. Começa a chover mansinho, e cada gota d’água que bate no telhado, é mais um acorde que me delicia. Abrindo a janela sinto um friozinho gostoso que aquece a alma. As marteladas na casa do vizinho, não são mais incômodas. É um chamamento ao encanto do reconstrução.

Olho-me no espelho, objeto há muito proscrito por não querer ver, reflete a imagem da pessoa que não mais pensei ser. Não procuro ver rugas, nem vincos. Aparece uma mulher bonita, que nunca fui. É uma beleza interna que transparece através da reflexão, transmudada numa figura esbelta, com um sorriso cativante, e olhos muito luminosos permitindo enxergar ao redor. Eles também brilham por  ver a beleza que estava escondida dentro de mim.

Nunca pensei ser um Newton na descoberta da lei física da atração, nem um Monet impressionista . Mas senti uma atração muito grande pelas refletidas imagens e uma vontade de colorir cada vez mais a natureza. Senti-me amando todas as pessoas, que me amam ou não, almejando a união, o diálogo, e cuidando dos animais com o maior desvelo.

Fui à sacada, onde estão plantadas em antigos vasos, rosas e orquídeas e com um a alegria incrível constatei que as mesmas estavam desabrochando para a Primavera. Era como se estivesse num jardim florido, envolvida num aroma sutil e ao mesmo tempo, marcante envolvendo todo o meu ser.

Descobri, hoje, que cada pedacinho do solo que piso, é obra de um criador, de um artista. Olhando para o peitoril, onde repousam folhagens, plantados com muito zelo, vejo um ninho de um Beija-Flor. Um filhote recebe alimento que sua cuidadosa mãe. A cena enternece meu coração.

Quando a noite desperta, a lua cheia, lá no alto, me cumprimenta com um sorriso faceiro. Eu a reverencio como o mais significativo presente dos céus. Olhando o horizonte que se descortina aos meus olhos, vislumbro um mundo de Paz. Um mundo onde os homens de todos os continentes e regiões estão de mãos dadas, brindando a união dos povos e ao término das lutas, da ânsia pela riqueza e pelo poder e da discriminação. A tranqüilidade também reina no meu pensamento e no meu sentir. Nada mais é feio ou sem graça. Em tudo há formosura, tantas vezes ignorada. Querendo a gente encontra.

Os amigos?  Verdadeiros anjos que descerram à terra , para colocarem a mão no meu ombro, me valorizando,e me convidando a estabeler um vínculo afetivo indissolúvel. Se um dia me senti magoada, ressentida ou desconsiderada, entendo hoje, que não sou um planeta, onde  em torno mim, girariam os satélites. Sou apenas mais uma estrela pertencendo a uma constelação, entre tantas outras, que constituem o universo.

Descobri hoje, uma mulher amadurecida, com vivências indescritíveis e muitos sonhos a concretizar. Descobri hoje, o que  há de mais significativo:   o amor.  Ele me levou pela mão e, fez acreditar na sua existência. Assim eu perdi o medo de amar.

Hoje, eu fiz a maior descoberta de todas: eu sou perdidamente apaixonada pela vida.

Themis Groisman Lopes

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Dias Cinzentos

Saudades de mim mesma.
Da alegria, das cores vibrantes.
Do ritmo em bossa nova que toca em meu coração.

Ainda assim, não fugirei de mim.
Farei companhia à melancolia que me visita hoje.
Ficaremos juntas em silêncio…

Não que eu seja apaixonada por nuances tristes…
Mas eu as respeito…
Aprendi que tenho que levá-las em consideração.

Meu Ser não nasceu para ser triste.
E convenceu minha alma, razão, percepção.
Tudo em mim sabe que sou Alegre.
Essencialmente alegre.

O que não impede a visita intermitente da tal melancolia:
“Seja bem vinda querida, mas, por favor: não se demore”.

E o respeito e amor por mim impelem-me a estar comigo mesma…
Com qualquer humor, com qualquer razão…

É bem feliz saber que posso contar comigo nestas situações.
Entende-me?

Por Andreia Bossoes

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Palavras

Sou amante das palavras.
Trata-se de uma expressão de arte
compreendida pelos mais sensíveis de alma.
Palavras são puras,
Quase não faz uso de artifícicos.
Não inebria os sentidos com sons, formas,
Cores, perfumes ou sabores.
Não como solo.
Não em concretude.
Poemas são convites.
Convido-o a arte da imaginação.
Convido-o a arte de pensar e elaborar.
Convido-o a silenciar-se em si mesmo.
Convido-o a ler, perceber e ouvir o outro.
Palavras ressoam em corações cujas fontes
Emanam desejo e busca.
Desejo de vida em plenitude.
Desejo de se conhecer.
Desejo de Ser…
E tantos outros desejos,
Em universos particulares…
Palavras são capazes de adoçar e colorir uma vida.
Palavras são capazes de amargar uma existência.
Curar e condenar.
Desde que puras, nascidas e recebidas na alma…
Quanto ao silêncio?
Sim, é uma linguagem do Amor,
Quase como um consolo.
Há situações em que ele fala
Melhor que qualquer som ou voz.
É recurso presente nos sábios.
Entretanto, não o vejo como linguagem de Ação.
O vejo como reação, salvo raríssimas excessões…
É demonstração de afeto, compreensão e perdão.
Concílio e reparo.
Convido-o a ação do Ser:
Ser Cor!
Ser Sabor!
Ser Sorriso!
Ser Amor!
E quando inevitável for….
Silencie…
Como gesto de Amor!
Por que pessoas valem mais
Do que palavras…
Por Andreia Bossoes
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O tempo é o vão…………

Velho tempo,

pensas que me enganas

que estás a passar

estás estaqueado

quem passa sou eu

troco de vestes

assisto guerras ,ouço falar de paz,

onde eu estiver mudo teu cenário , tu inabalável ficas a assistir

nada invento, nada crio, tudo já sabes, ja assististes

num tropeço, desvendo teus segredos

guardas as Eras me fazes ver o que eu era

ocultas meus caminhos

percebes a ira

assistis a tudo, mas nunca passas…

inventaram as horas, relógios prá te marcar e mesmo que parem tu estás lá

no fundo, de nossos fundos sem fundo,

és imune, nada te trava, nada te adianta

retratas espaços inexistentes

assistis transformações quieto, taciturno

e num galope rasante, me atiro ao encontro do nada

o nada que escondes o nada que fazes

no teu ócio na espera insana de teu passar e o tudo  que nunca farás , pela inexistência que tens

me fizeram crer que passarias, por comodismo, por utopia

mas a muito já descobri tua armadilha

és irmão de um livre- arbitrio que me cederam, parente da democracia discursada

tantos caminhos, tantas opções….

brincam comigo ,brincam com todos ,vivemos atados,prisioneiros, por sútis correntes invisíveis

cartas marcadas, destinos traçados de apenas um caminho, uma verdade

de várias vidas fingidas em ser um outro um outro alguém,um outro nome

mas só tu sabes….

somos os mesmos

forneces cordas limitadas, invisíveis

te fazes de santo

me atiro no canto sei teu segredo e sabes dos meus

te deixo de lado reescrevo teu cenário, em teus espaços que dizes vazios

não és mais que eu

nem eu mais que tu

mas personagens,de um ciclo de vida…que insistes

te fazes de ancora, no oceano da vida tão fundo, tão atraente, exposto e desconhecido

eu viro iceberg a passar por ti a navegar esse oceano

mas  nós dois prisioneiros sabemos o que somos e onde irei…

tu ficarás inerte a ver passar

Velho tempo…tão velho quanto eu tão escravo quanto tudo e todos

mas guarda em silêncio tudo que assiste não participa….apenas assiste…

calado….

Rosana Corrêa

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PANO PRA MANGAS

Que os tempos mudaram e, com o tecido que antigamente se fazia um lenço hoje se faz um vestido de baile, não é nenhuma novidade.

Também não é novidade que, proporcionalmente ao volume de fazenda utilizada na confecção das roupas, foram diminuindo o número dos manequins.

Na ditadura da anorexia, uma mocinha que use manequim 42 será considerada obesa. No meu tempo, 40 seria raquítica.

Li, certa vez, que os costureiros inventaram essa onda dos manequins menores e, consequentemente, das mulheres magérrimas que caibam nesse tipo de roupa, para gastar menos matéria prima e para que as coleções fizessem menor volume ao serem transportadas.

Como estilistas são artistas e todo artista tem um quê de genial e louco, vai saber…

Resolvi encarar com bom humor os novos ditames impostos pelo mundo fashion atual.

Quando chego a uma loja, após verificar a vitrine, poluída de belos e minúsculos modelos daquilo que imagino não serem para mim, pergunto de antemão se vendem roupas para adultos também. Normalmente é risada geral. Tenho cúmplices!

Se as balconistas estiverem desatentas, completo, desafiadora: Na vitrine só vi roupas da sessão infantil e quero para o meu tamanho

Assim, já poupo o stress de ouvir a solene resposta de sempre:

– Não, nós não trabalhamos com tamanhos grandes.

Outro recurso que venho empregando é, ao ser atendida, ir logo perguntando onde fica a sessão “BG”, ou seja, “Baleia Gorda”. Diversão garantida! Se não houver manequins grandes, pelo menos nos despedimos todas rindo, o que nos previne rugas.

Só que todo este “jogo do contente” não dura para sempre.

Acabo chegando à triste constatação de que os tamanhos são sempre os mesmos, em todos os lugares:

U = Unicamente para magras

PP = Pouco Pesada

P = Pequeníssima

M = Menor do que você imagina

G = Geralmente não cabe em você

GG = Garota Gostosa

EXG = Extremamente gata

E agora?

Volto para casa de mãos vazias.

Na cabeça, o velho slogan:

“Emagreça e apareça!”

Carmen Macedo

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ARCABOUÇO

Em cima daquela torre

O músico e a bailarina

De noite tomavam porre

De dia faziam rima

Desciam pelas escadas

Cantavam pelas esquinas

Voltavam embriagados

Num rastro de purpurina

Até que a ventania

Desnudou a bailarina

Destruindo a melodia

Arrancou-lhe a fantasia

Poeta bebeu saudade

Vagou pela noite fria

Trôpego pela cidade

Procurando a bailarina

Não encontrando pousada

Procurando companhia

Voltou à torre encantada

Mas só fantasmas havia

E o poeta, em sua sina,

Subiu à torre e maldisse

Seu amor pela meiguice

Da lânguida bailarina

Assim, de dor consumido,

Foi descendo aquela escada

Caminho tão percorrido

Junto de sua amada

Até encontrar o porão

Onde ficou para sempre

Prisioneiro de si mesmo

De seus sonhos, da canção

Prisioneiro do amor

E da imensa solidão.

*Para Ludmila Rodrigues e Wander Bêh

Carmen Maceco

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