ARCABOUÇO

Em cima daquela torre

O músico e a bailarina

De noite tomavam porre

De dia faziam rima

Desciam pelas escadas

Cantavam pelas esquinas

Voltavam embriagados

Num rastro de purpurina

Até que a ventania

Desnudou a bailarina

Destruindo a melodia

Arrancou-lhe a fantasia

Poeta bebeu saudade

Vagou pela noite fria

Trôpego pela cidade

Procurando a bailarina

Não encontrando pousada

Procurando companhia

Voltou à torre encantada

Mas só fantasmas havia

E o poeta, em sua sina,

Subiu à torre e maldisse

Seu amor pela meiguice

Da lânguida bailarina

Assim, de dor consumido,

Foi descendo aquela escada

Caminho tão percorrido

Junto de sua amada

Até encontrar o porão

Onde ficou para sempre

Prisioneiro de si mesmo

De seus sonhos, da canção

Prisioneiro do amor

E da imensa solidão.

*Para Ludmila Rodrigues e Wander Bêh

Carmen Maceco

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Sobre belbute

"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais retornará ao seu estado original" (Albert Einstein)
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