Quebra-cabeça

Como a vida tem me surpreendido!

Quando imaginaria que, numa rede de relacionamentos, conheceria pessoas  maravilhosas e afins?

Hoje, neste exato momento estou hospedada na casa de uma que , de tão linda, é ùnica.

Tento achar explicação para toda essa “loucura” e quanto mais penso menos entendo.

E não tenho que entender mesmo, apenas sentir e viver esse encontro  marcante.

Quão linda você é, minha amiga!

Se, hà muito, dizia que éramos irmãs, agora posso acrescentar mais. Somos irmãs gêmeas, univitelinas.

Quiçà clones.

Quanta identidade!

Sentimentos!

Alegria,loucura,anseios,necessidades.

È…

Somos irmãs…

Daquelas unha e carne.

Não esqueço os outros que encontrei.

Todos maravilhosos, especiais.

Descobri que não tenho nacionalidade.

Sou universal.

Amo a todos e de todos os cantos.

Talvez ,por isso, sinta-me um peixe fora d’àgua.

Sou  peça de um quebra-cabeça que, se completarà, à medida que encontrar as outras.

Està apenas começando.

Essa é a experiência mais marcante e inesquecivel que jà fiz.

Tenho certeza que é a primeira de muitas.

Meus irmãos de alma estão por todo lado e, ao que tudo indica, é chegada a hora de nos encontrarmos.

Pode parecer loucura, insanidade, mas que é a vida senão uma gostosa maluquice?

Margarete Martins Araújo

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Primavera

Primavera chegando

rompendo o casulo

borboleta

abre asas

Canta

voa

voando…deixando para trás

o inverno a repousar

venha primavera

aquece minhas asas

quero voar

flores me esperam

doce néctcar

a mais linda flor

borboleta voa

primavera chega

borboleta busca o amor…

Rita Cherutti

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Existiriam?

Paulo era um garoto de 15 anos que morava numa cidade do interior. Pacato e estudioso, convivia muito com sua prima Rosana, alguns meses mais velha do que ele. De uma hora para outra, começou a sentir uma atração acentuada por ela. A garota tinha receio de aproximar-se de qualquer rapaz, embora sentisse curiosidade. A mãe sempre a alertara em relação aos homens, dizendo que tivesse cuidado. Só queriam se aproveitar das mulheres e largá-las como objetos descartáveis. Poderia ser verdadeiro o conselho materno.

Tão teimoso quanto bonzinho, Paulo se aproximou mais da prima através dos livros. – Ambos gostavam de leitura- Estavam sempre na biblioteca. Ele a elogiava, procurando seduzi-la usando  todos os artifícios possíveis, como muitos homens soem fazer. Rosana não queria aceitar, mas, na verdade, apaixonou-se. O romance aconteceu. A adolescente ficou totalmente embevecida. O namoro era às escondidas, pois tinham certeza de que os pais não aceitariam o fato, por serem primos.

Não demorou muito para o primo notar que existiam outras gurias mais bonitas, saias mais curtas, decotes mostrando seios fartos e tentadores. Acabou descartando a prima, como uma cueca usada, bandeando-se em busca de novos sabores e odores. Legítimo Don Juan. Rosana, humilhada, lembrou dos conselhos da mãe: homens não prestavam. Decidiu atirar-se para qualquer rapaz, pulando de um para outro, tal qual uma pulga. Deixando picadas. Provaria que os homens podiam ser mais dispensáveis do que qualquer mulher. Paulo dizia para os amigos que felizmente deixara aquela galinha. Rosana, de tantas aventuras amorosas sem a mínima cautela, ficou grávida. Não sabia de quem era o filho. Nem estava interessada em saber. Ficou feliz quando percebeu que, verdadeiramente, o que desejava era ser mãe. Os homens que ficassem sofrendo, sem saber quem era o pai. Mesmo que descobrisse, jamais contaria. Estava realizada. Afinal, conseguira vingar-se do primo e consequentemente dos homens.

Na véspera da Páscoa, Paulo e Rosana se encontraram num bar da noite. A garota com uma barriga de sete meses. Olharam-se com surpresa, com ódio, com amor. Pairou no ar uma dúvida: ainda existiriam contos de fadas?

Themis Groisman Lopes

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Hoje, apenas, hoje.

Na espuma do

mar revolto,

escondo meu relicário.

As ondas rebeldes

querem roubar

meus segredos,

que  foram

consagrados no

altar do

meu sofrimento.

Mar, amigo

e carrasco

por que me

maltratas assim?

Bem sabes

que meu amor

foi sempre infinito

por ti.

Tragaste minha

feliz infância,

enquanto em

tuas águas

me banhava,

esperando o amanhã

que viria, solitário

para lavar minha alma.

Oh ,mar, por que?

Fizeste naufragar

minha juventude

sepultando-a na

tua imensidão.

Agora queres

também levar

os meus sonhos?

Não!

Eles são

muito meus.

Acalentados por

uma vida inteira,

mesmo sem saber

se um dia

seriam reais.

Mas são os

meus sonhos.

Ninguém os

tirará de mim.

Neles dorme

a criança que

fui,um dia.

Neles repousa

a juventude que

não foi.

Mas são

os únicos

que me restam.

Palpitantes

Acariciados.

Guardados no baú

da minha

maturidade.

Foram  a

minha vida

e serão a

minha morte.

Pelo menos

hoje, meu mar

faz de conta

que são meus

e deixa-os

comigo

Themis Groisman Lopes

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Simples (mente) Mulheres

Quanta leveza e subtileza,
quanto amor no olhar
quanta verdade no sorrir.
Quantos sonhos já vividos
quantos sonhos por sonhar.

Quantos desejos supridos
e quantos por desvendar.
Verdades que gritas por dentro,
vaidades retraídas, extravasadas.

Mulheres guerreiras, batalhadoras,
diplomáticas, Mulheres, queridas,
Mulheres destemidas
Mulheres “rodadas”
mas simples (mente) M U L H E R E S.

Mulheres meninas
que não perdem a inocência,
meninas Mulheres
que desabrocham
antes da adolescência.

Acerca de ti Mulher
não há muito o que falar
apenas há que sentir
tão pouco há o que julgar,
nem tentar te definir.

Cada uma com seu jeito,
todas elas desiguais,
todas com dias perfeitos,
outros dias infernais.

Todas são indecifráveis
A um olhar masculino
que às vezes em vez de HOMENS
tornam-se “Omens”.

Mulheres que os fazem perder o tino
ficar de olhos virados
de pedir ajoelhados
com expressão de menino.

Mulheres com sex-appeal refinado.
Mulheres “menina” com olhar de sedução
Mulheres “feiticeira” para agarrar o coração.
Mulheres que mesmo desnudas provocam admiração.

Cada uma com seu substantivo,
Mulheres mães, amigas,
Mulheres multifunções,
Mulheres sensíveis,
Mulheres guerreiras,
Mulheres invisíveis.

Mulheres que poucos homens
conseguem compreender.
Mas simples(mente) mulheres.
Mulheres sem as quais os Homens,
dizem não conseguir viver.

Cristina Costa

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Marcas do tempo

As marcas que hoje se encontram em mim têm uma història.

São marcas de uma trajetòria percorrida com garra e vontade de viver.

Como desprezà-las?

Elas se confundem comigo. Seria como apagar parte de mim.

Pode não ter sido o melhor, mas eu vivi.

Fiz o que achava certo.

Com os erros  aprendi.

Cresci.

Os acertos deixaram-me mais confiante.

Tudo isso està aqui, no meu corpo.

Olhando no espelho, vejo-me bela.

Meu corpo não é escultural, mas  tem contornos ùnicos  que me remete ao passado.

Posso assistir, através dele, ao filme da minha existência até aqui.

Volto à minha infância, adolescência e vida adulta.

Interessante ver que não sinto tristeza.

Ela dà lugar ao orgullho de ter sido forte o bastante e superado os momentos difìceis.

Hà tambem alegria e paz.

Sentimentos puros e sublimes de acontecimentos maravilhosos.

Hà uma marca especial que me enche de alegria, prazer e êxtase.

A da maternidade!

Sentimento ùnico, especial e divino.

Como não gostar e até mesmo me encantar com minhas marcas?

Impossìvel!

Elas revelam que me tornei mais madura e experiente.

Desejo que venham outras e que possa sempre me orgulhar.

Enxergar nelas traços do Artista que me desenhou com todo Amor e continua aprimorando Sua obra!

Margarete Martins Araujo

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AS RUGAS DA ALMA – Como fazer uma plástica?

A partir do poema que postei, intitulado Dores e Lembranças, e dos excelentes comentários de tantos amigos inteligentes que vieram acrescentar suas idéias e trocar experiências de vida, vi-me refletindo mais profundamente sobre o tema.

É verdade insofismável que todos nós, um dia, envelheceremos. Nascemos envelhecendo, minuto a minuto. É a trajetória inexorável da vida. O tempo cumprindo sua missão. Olharemos nossa face no espelho e veremos outra imagem diferente da que fazíamos de nós. Veremos apenas um vago reflexo do que fomos um dia. A pergunta será inevitável: onde foi parar meu viço, minha beleza?

Muitas pessoas desesperam. Entram em verdadeiro looping, não aceitando o passar do tempo. Há verdadeiras legiões de almas desassossegadas que buscam resolver suas carências e tristezas em clínicas de cirurgia plástica e rejuvenescimento. Existem hordas de novos pacientes, todos os dias, abarrotando consultórios e buscando – através de milagres com fórmulas, chás, exercícios pesados, novas dietas e tantas outras maluquices – a eterna fonte da juventude. É o culto à beleza. Velhice é out. Será mesmo?

Importante lembrar que cada fase da vida tem suas delícias e seus encantos. Parece que estamos esquecendo isso, às vezes. Em cada ruga, cada sulco que nos acompanha, há uma marca a ser cultuada também – realizações, dificuldades, etapas vencidas arduamente, tristezas que superamos, recordações que não devem ser apagadas como se usássemos o fotoshop para tudo.

Jamais condenaria quem fez, faz ou fará cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos. Todas nós recorremos a essa bênção da medicina, até mesmo com fins reparadores. É bom e saudável cuidar do corpo para sentir-se bem e feliz.  Mas dentro de critérios e parcimônia. Desde que não se transforme em vício, obsessão.

Na realidade, a grande distorção de imagem do final do século passado e do atual é que o sonho de consumo passou a ser a reforma externa. Desaprendemos o ritual de cultivar a beleza interna. Antes da plástica, deveria ser necessário que se fizesse uma reforma íntima – de valores, princípios, espiritualidade, compaixão, fé, amor. Uma verdadeira revolução dentro de nós mesmos, buscando nossa beleza interior no sentido mais abrangente.

Com a idade, avançamos, crescemos, progredimos. Beleza exterior é uma roupa que velha, de repente, já não nos serve mais. O exterior, como continente, serve de invólucro ao conteúdo. É casca. Perece.

Não trocaria meus 50 e alguns de hoje pelos 20 e poucos de ontem. Tinha carinha de princesa. A cabecinha era até aproveitável, mas o conhecimento e a experiência que possuo hoje dão de 10 a zero na menina. Se pudesse, voltava com 50!

Idade nunca foi sinal de feiúra. É sinal de amadurecimento, serenidade, bom-senso, sabedoria adquirida.

Concluo que só é feio quem não se ama.

Carmen Macedo

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